{"id":547,"date":"2021-09-10T07:00:00","date_gmt":"2021-09-10T10:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/projetolua.ifce.edu.br\/revista\/?p=547"},"modified":"2021-09-25T15:54:55","modified_gmt":"2021-09-25T18:54:55","slug":"a-lacuna-entre-a-academia-e-a-industria-no-ensino-de-engenharia-de-software","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetolua.ifce.edu.br\/revista\/a-lacuna-entre-a-academia-e-a-industria-no-ensino-de-engenharia-de-software\/","title":{"rendered":"A Lacuna entre a Academia e a Ind\u00fastria no Ensino de Engenharia de Software"},"content":{"rendered":"<figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/projetolua.ifce.edu.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/19199295-1024x1024.jpg\" alt=\"engenharia de software\" loading=\"lazy\" srcset=\"https:\/\/i2.wp.com\/projetolua.ifce.edu.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/19199295-scaled.jpg?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i2.wp.com\/projetolua.ifce.edu.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/19199295-scaled.jpg?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i2.wp.com\/projetolua.ifce.edu.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/19199295-scaled.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i2.wp.com\/projetolua.ifce.edu.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/19199295-scaled.jpg?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i2.wp.com\/projetolua.ifce.edu.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/19199295-scaled.jpg?resize=1536%2C1536&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i2.wp.com\/projetolua.ifce.edu.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/19199295-scaled.jpg?resize=2048%2C2048&amp;ssl=1 2048w, https:\/\/i2.wp.com\/projetolua.ifce.edu.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/19199295-scaled.jpg?resize=80%2C80&amp;ssl=1 80w, https:\/\/i2.wp.com\/projetolua.ifce.edu.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/19199295-scaled.jpg?resize=320%2C320&amp;ssl=1 320w, https:\/\/i2.wp.com\/projetolua.ifce.edu.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/19199295-scaled.jpg?resize=120%2C120&amp;ssl=1 120w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>\n<p>Engenharia de Software (Fonte: <a href=\"https:\/\/br.freepik.com\/vectorjuice\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">VectorJuice &#8211; Freepik<\/a>)<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n\n<p>Segundo um <a href=\"https:\/\/brasscom.org.br\/estudo-brasscom-formacao-educacional-e-empregabilidade-em-tic-achados-e-recomendacoes\/\">estudo de 2019 da BRASSCON<\/a> (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o), o n\u00famero de concludentes em \u00e1reas ligadas \u00e0 Computa\u00e7\u00e3o (como Engenharia de Software) \u00e9 insuficiente para atender o mercado de Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos anos: o Brasil forma 46 mil pessoas com perfil tecnol\u00f3gico por ano, mas seriam necess\u00e1rias 70 mil para atingir a necessidade do mercado. Al\u00e9m disso, h\u00e1 uma grande quantidade de alunos evadidos nos cursos acad\u00eamicos relacionados \u00e0 Computa\u00e7\u00e3o, chegando a 32,7% do total de matr\u00edculas.<\/p>\n\n\n\n<p>Especificamente no ensino de ES, a quantidade e a qualidade dos profissionais est\u00e1, entre outros fatores, diretamente relacionada \u00e0 qualidade da educa\u00e7\u00e3o que, entre outros pontos, pode contribuir significativamente para diminuir a evas\u00e3o dos estudantes, para a melhoria do estado da arte do desenvolvimento de software e para auxiliar na solu\u00e7\u00e3o de alguns problemas tradicionais e crises relacionadas com as pr\u00e1ticas da ind\u00fastria (PRIKLADNICKI&nbsp;<em>et al.<\/em>, 2009).<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, ainda \u00e9 poss\u00edvel perceber uma lacuna entre a academia e a ind\u00fastria com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 forma\u00e7\u00e3o dos futuros profissionais. Frequentemente a academia com seu ensino convencional, com aulas expositivas e grande conte\u00fado te\u00f3rico, n\u00e3o atende \u00e0s necessidades da ind\u00fastria, que \u00e9 din\u00e2mica e em constante transforma\u00e7\u00e3o, onde o engenheiro de software deve ser capaz de desenvolver habilidades t\u00e9cnicas e n\u00e3o t\u00e9cnicas a fim de cumprir com suas atribui\u00e7\u00f5es (OGUZ; OGUZ, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Normalmente, o conte\u00fado em disciplinas de ES \u00e9 apresentado como um denso conte\u00fado te\u00f3rico-conceitual e \u00e9 ensinado de forma tradicional, com aulas expositivas e leituras complementares (CUNHA; MARQUES; LEMOS; C\u00c2MARA; VASCONCELLOS, 2018). A natureza fundamentalmente pr\u00e1tica da ES, na maioria das vezes, entra em confronto com a maneira te\u00f3rica com que se d\u00e1 o ensino nestas disciplinas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por um lado, o ensino focado apenas na parte te\u00f3rica pode ocasionar a desmotiva\u00e7\u00e3o dos estudantes, visto que, eles podem n\u00e3o conseguir entender como os problemas surgem ou quais suas principais causas e consequ\u00eancias em um ambiente real (TONH\u00c3O&nbsp;<em>et al.<\/em>, 2021).<\/p>\n\n\n\n<p>Em outras situa\u00e7\u00f5es, o curso de ES pode at\u00e9 contemplar a compet\u00eancia pr\u00e1tica, mediante o desenvolvimento de um projeto final (CUNHA; MARQUES; LEMOS; C\u00c2MARA; VASCONCELLOS, 2018). No entanto, os estudantes percebem que os projetos da vida real s\u00e3o diferentes daqueles que realizaram durante sua educa\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria. Essa situa\u00e7\u00e3o cria uma grande lacuna entre a academia e a ind\u00fastria onde, entre os poss\u00edveis motivos, est\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>A profiss\u00e3o de engenheiro de software \u00e9 capaz de reagir rapidamente a novas plataformas e tend\u00eancias que exigem a aquisi\u00e7\u00e3o de novas habilidades, enquanto que a academia n\u00e3o o \u00e9;<\/li><li>A academia n\u00e3o \u00e9 r\u00e1pida o suficiente para incorporar as mudan\u00e7as da profiss\u00e3o em seu curr\u00edculo;<\/li><li>\u00c9 um desafio criar experi\u00eancias realistas no ensino de engenharia e<\/li><li>A falta de experi\u00eancias realistas torna mais desafiador para os alunos adquirir habilidades b\u00e1sicas que s\u00e3o necess\u00e1rias para a colabora\u00e7\u00e3o no desenvolvimento de projetos de software em grande escala &nbsp;(OGUZ; OGUZ, 2019).<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Pode-se acrescentar que as pr\u00f3prias diretrizes curriculares do ACM\/IEEE enfatizam a necessidade de proporcionar aos alunos experi\u00eancias pr\u00e1ticas que sejam suficientes para o desenvolvimento das compet\u00eancias esperadas em profissionais de ES (ARDIS&nbsp;<em>et al.<\/em>, 2015). No Brasil, baseados nas <a href=\"https:\/\/www.in.gov.br\/materia\/-\/asset_publisher\/Kujrw0TZC2Mb\/content\/id\/22073129\/do1-2016-11-17-resolucao-n-5-de-16-de-novembro-de-2016-22073052\">Diretrizes Curriculares Nacionais<\/a>, os referenciais de forma\u00e7\u00e3o para os cursos de gradua\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da Computa\u00e7\u00e3o, incluindo ES, apresentam uma proposta baseada em compet\u00eancias, em vez de conte\u00fado.&nbsp; O termo \u201ccompet\u00eancia\u201d relaciona-se \u00e0 aptid\u00e3o do indiv\u00edduo em aplicar os conhecimentos adquiridos, assim como as habilidades e qualidades pessoais nas mais diversas situa\u00e7\u00f5es da atividade profissional. (ZAITSEVA; MISNEVS, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, <em>soft skills<\/em>, ou habilidades n\u00e3o t\u00e9cnicas, como lideran\u00e7a, trabalho em equipe, tomada de decis\u00e3o, negocia\u00e7\u00e3o e autorreflex\u00e3o, s\u00e3o compet\u00eancias importantes para a pr\u00e1tica de ES, uma vez que o desenvolvimento de software tamb\u00e9m envolve diversos aspectos humanos e sociais. Embora existam muitos estudos que enfatizam a import\u00e2ncia das habilidades sociais, elas tamb\u00e9m s\u00e3o uma das causas da lacuna entre a academia e a ind\u00fastria, uma vez que os engenheiros de software em in\u00edcio de carreira relatam que n\u00e3o se sentem preparados para a comunica\u00e7\u00e3o e o trabalho em equipe, onde as <em>soft skills<\/em> s\u00e3o mais necess\u00e1rias (OGUZ; OGUZ, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>Integrar teoria e pr\u00e1tica \u00e9 realmente um grande desafio para as universidades em cursos de ES, sendo que esse processo exige tempo e recursos. Estudos apontam que, al\u00e9m de tudo, seriam necess\u00e1rios tamb\u00e9m professores com experi\u00eancia em desenvolvimento de software e, em alguns casos, clientes reais para atuarem em contrapartida nos projetos (CUNHA; MARQUES; LEMOS; C\u00c2MARA; VASCONCELLOS, 2018).<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, segundo Oguz e Oguz (2019), as universidades podem considerar, entre outras, as seguintes op\u00e7\u00f5es para diminuir a lacuna entre a academia e a ind\u00fastria:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Os professores devem se envolver em projetos reais da ind\u00fastria para acompanhar as novas metodologias da profiss\u00e3o;<\/li><li>Os profissionais da ind\u00fastria podem ser convidados para realizar exposi\u00e7\u00f5es e apresenta\u00e7\u00f5es para o corpo discente em disciplinas de ES;<\/li><li>O realismo nos projetos do curso pode ser obtido convidando clientes reais para expor suas necessidades, em colabora\u00e7\u00e3o direta com a ind\u00fastria;<\/li><li>Os professores devem apresentar projetos interessantes para atrair a aten\u00e7\u00e3o dos alunos, de modo que eles fiquem motivados a trabalhar;<\/li><li>A academia deve revisar o programa do curso com pr\u00e1ticas t\u00e9cnicas e sociot\u00e9cnicas, para englobar n\u00e3o apenas as <em>hard skills<\/em>, mas tamb\u00e9m as <em>soft skills<\/em> e<\/li><li>Os curr\u00edculos dos programas de ES devem considerar diferentes abordagens de ensino e aprendizagem como, por exemplo, metodologias \u00e1geis como, por exemplo, a aprendizagem baseada em problemas.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><p>Dessa forma, podem ser criadas metodologias e abordagens inovadoras, que possam atender aos estudantes n\u00e3o apenas em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00edveis de aprendizagem, mas tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o destes em rela\u00e7\u00e3o ao curso, e posteriormente, ao mercado de trabalho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Refer\u00eancias<\/h5>\n\n\n\n<p>ARDIS, Mark&nbsp;<em>et al<\/em>. SE 2014: Curriculum Guidelines for Undergraduate Degree Programs in Software Engineering.&nbsp;<strong>Computer<\/strong>, v. 48, n. 11, p. 106-109, 23 fev. 2015. Institute of Electrical and Electronics Engineers (IEEE). <a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1109\/mc.2015.345\">http:\/\/dx.doi.org\/10.1109\/mc.2015.345<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>CUNHA, Jos\u00e9 Adson O. G. da; MARQUES, Gabriel Ara\u00fajo; LEMOS, Wellington Louren\u00e7o; C\u00c2MARA, U\u00e9lio Dornelas; VASCONCELLOS, Francisco J. S.. Software engineering education in Brazil.&nbsp;<strong>Proceedings of the XXXII Brazilian Symposium on Software Engineering &#8211; SBES &#8217;18<\/strong>, p. 348-356, set. 2018. ACM Press. <a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1145\/3266237.3266259\">http:\/\/dx.doi.org\/10.1145\/3266237.3266259<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>OGUZ, Damla; OGUZ, Kaya. Perspectives on the Gap Between the Software Industry and the Software Engineering Education.&nbsp;<strong>IEEE Access<\/strong>, v. 7, p. 117527-117543, 04 set. 2019. Institute of Electrical and Electronics Engineers (IEEE). <a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1109\/access.2019.2936660\">http:\/\/dx.doi.org\/10.1109\/access.2019.2936660<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>PRIKLADNICKI, Rafael&nbsp;<em>et al<\/em>. Ensino de Engenharia de Software: Desafios, Estrat\u00e9gias de Ensino e Li\u00e7\u00f5es Aprendidas.&nbsp;<strong>FEES-F\u00f3rum de Educa\u00e7\u00e3o em Engenharia de Software<\/strong>, p. 1-8, nov. 2009.<\/p>\n\n\n\n<p>TONH\u00c3O, Simone de Fran\u00e7a&nbsp;<em>et al<\/em>. Uma abordagem pr\u00e1tica apoiada pela aprendizagem baseada em projetos e gamifica\u00e7\u00e3o para o ensino de Engenharia de Software.&nbsp;<strong>Anais do I Simp\u00f3sio Brasileiro de Educa\u00e7\u00e3o em Computa\u00e7\u00e3o (EDUCOMP 2021)<\/strong>, p. 143-151, 26 abr. 2021. Sociedade Brasileira de Computa\u00e7\u00e3o. <a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.5753\/educomp.2021.14480\">http:\/\/dx.doi.org\/10.5753\/educomp.2021.14480<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>VALENTE, Marco Tulio.&nbsp;<strong>Engenharia de Software Moderna: Princ\u00edpios e Pr\u00e1ticas para Desenvolvimento de Software com Produtividade<\/strong>. 2020. 408 p. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/engsoftmoderna.info\/\">https:\/\/engsoftmoderna.info\/<\/a>. Acesso em: 25 maio 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>ZAITSEVA, Larissa; MISNEVS, Boriss. Competency-Based Approach Teaching Software Engineering.&nbsp;<strong>Smart Education and e-Learning 2019<\/strong>, v. 1444, p. 231-241, 1 jun. 2019. Springer Singapore. <a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1007\/978-981-13-8260-4_22\">http:\/\/dx.doi.org\/10.1007\/978-981-13-8260-4_22<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Engenharia de Software (ES), como \u00e1rea do conhecimento, trata essencialmente da aplica\u00e7\u00e3o de abordagens sistem\u00e1ticas, disciplinadas e quantific\u00e1veis para desenvolver, operar, manter e evoluir software. 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